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BLOG - Ruy Moura

 

05/05/2008

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Da Fonte

INVESTMENT GRADE E AS EMPRESAS DE TI

 

Finalmente o Brasil foi reconhecido por uma das agências de classificação de risco, Standard & Poor´s, que somos um país com capacidade adequada para cumprir seus compromissos financeiros e oferecer segurança ao investidor. Com a promoção, o Brasil passa a condição privilegiada receber novas e expressivas fontes de recursos da economia global. 

Entre os principais impactos para as empresas  brasileiras cabe destacar a redução do custo de suas captações de recursos no exterior, estimulando os investimentos na produção, e o aumento da oferta de recursos externos na Bolsa de Valores e Fundos de Investimentos que, por sua vez, irão alavancar fortemente novas fusões e aquisições.   

A propósito, às vésperas do Brasil receber o grau de investimento, em entrevista à jornalista Silvia Paladino, no webcast do Reseller Web, http://www.resellerweb.com.br/webcasts/index.asp?video=228#, tivemos a oportunidade de abordar vários aspectos relacionados com a importância das operações de Fusões & Aquisições para o crescimento empresarial, num momento em que se fala de crise financeira internacional, crescimento sustentável do mercado brasileiro e o processo acelerado de consolidação do setor de TI.

A máteria se intitula “Mercado de TI prepara cerca de 30 empresas para abertura de capital em 3 a 4 anos e o papel do SMB nesse cenário”.  São mencionadas também as influências da crise norte-americana sem menosprezar, contudo, os fundamentos da  economia brasileira que nos levaram a um novo patamar econômico. 

Com o objetivo de estimular o debate sobre o assunto, procurou-se sumarizar os aspectos mais relevantes, seja consolidando os tópicos abordados, seja destacando outros que em função do tempo  não foram  tratados a com profundidade que merecem. 

Importância de se utilizar o processo de M&A (Merger & Acquisitions) 

Várias são as razões. Entre as mais relevantes destaca-se o crescimento econômico que o Brasil esta passando, cerca de 4,5% ao ano, com expectativas de que nos próximos anos continue a crescer entre 4 a 5% a.a. Isto é, um mercado interno em expansão acelerada, embasada no crescimento do consumo interno, estabilidade de preços, crédito farto. Consequentemente, em muitos casos, a velocidade obtida por crescimento orgânico da empresa pode não ser suficiente para preservar ou conquistar uma posição competitiva no mercado. As empresas terão que investir simplesmente para garantir suas posições. Se quiserem avançar em market share precisarão estar dispostas a estratégias ainda mais agressivas.  E as operações de fusão e aquisição permitem alavancar rapidamente este crescimento.  

Até o final do ano passado o excesso de liquidez internacional contribui em muito para capitalizar as empresas mediante lançamento de ações na Bolsa.  Assistimos em 2007, 64 empresas fazendo IPOs e captando cerca de R$ 55,9 bilhões. Parcela significativa desses recursos foi destinada a aquisições de empresas, o que levou o mercado a ficar bastante agitado. E vários os são setores que estão passando por este processo: carnes/frigoríficos; educacional; imobiliário; siderúrgico; shopping centers; saúde; energia renovável, etc. Este ano por conta da crise global de crédito foi  interrompido um ciclo virtuoso de IPO´s. Teremos um 1º semestre fraco e as expectativas são de um 2º semestre bastante promissor, principalmente agora com a conquista da condição de grau de investimento.  

A retomada, no entanto, deve ser liderada por companhias de menor porte, no âmbito do Bovespa Mais, com ofertas públicas iniciais de ações da ordem de R$ 100 milhões. A propósito, este segmento foi  inaugurado em  fevereiro deste ano pela Nutriplant , que fez seu IPO com um faturamento anual inferior a R$ 40 milhões. 

Entre 2006 e 2007, três empresas de TI abriram seu capital – Totvs, Datasul e Bematech. Captaram R$ 1,2 bilhão. E até hoje continuam comprando empresas com os recursos obtidos. 

Não é demais repetir as principais razões que levam as empresas a efetuar suas aquisições: aumentar o faturamento e/ou market-share; aumentar a penetração em clientes estratégicos; atuação internacional com escritórios em países chaves;  incorporar novas tecnologias; aumentar sua massa muscular  para lutar contra a concorrência, ou mesmo consolidação de sua rede de canais.  

E as oportunidades para pequenas e médias empresas de TI 

Estamos assistindo um movimento intenso entre os empresários da área de TI no sentido de se consolidarem para enfrentar a maior competitividade que está ocorrendo por conta do crescimento do mercado interno. E este fenômeno se constata entre empresas de todos os portes, segmentos e regiões.  

Até recentemente a estratégia de M&A no setor de TI era uma estratégia de sobrevivência. Agora já se fala mais em M&A como estratégia de crescimento, entendendo esta nova fase e pilotando proativamente a inserção de seu negócio no novo estágio de crescimento da economia brasileira. 

As empresas de menor porte, referenciadas a titulo de exemplo a um faturamento de até R$ 12 milhões, estão buscando alternativas junto aos seus próprios concorrentes, no sentido de se fundirem. Interessante notar a forte influência de estigmas do passado, em que as conversas se iniciam em torno de conceitos relacionados com alianças estratégicas – por conta da “velha” estratégia de sobrevivência. Mas logo as conversas evoluem rapidamente para Fusão e Aquisição. Muitos empresários estão conversando entre si, grupos de 2, 3 até 4 empresas, para formar uma nova, focada, sobretudo, nas suas potenciais complementaridades de ofertas de produtos, cross-seling entre clientes, ampliação da base regional, identificação de sinergias por conta da escala e, aí, ficam evidentes e mensuráveis de imediato as reduções de custos em “back-office”: administrativo, financeiro, recursos humanos.  Em suma, fortalecendo sua musculatura com claros ganhos de sinergias, aumentando sua competitividade e em muitos casos eliminado concorrência entre eles mesmos.  

Já as empresas de maior porte, estão com programa de aquisições mais agressivo e alinhado com seu planejamento estratégico, num propósito continuado de aquisições. Visam assim aumentar seu faturamento e se credenciarem a captar recursos junto aos  Fundos de Private Equity, BNDES ou mesmo fazer o IPO nos próximos anos. Agora com o BOVESPA MAIS, segmento de listagem que permite captações de menor porte e cujas regras de governança corporativa são mais flexíveis, ampliaram-se as oportunidades para sua capitalização. 

Exemplos recentes de operações de M&A em TI 

São dezenas de casos que mereceriam destaque. Não só as mais noticiadas pela imprensa como as da Totvs, Datasul e Bematech que já fizeram IPO.

A propósito, cabe ressaltar o fenômeno que está ocorrendo entre os próprios canais das grandes empresas, entre outras, a Totvs, em que conforme anunciou recentemente seu Presidente, de 180 canais existentes pretende consolidar para cerca de 50, ao longo de 2008.Outro “benchmark” de M&A ocorrido em março deste ano, é o da Virtus, que oito empresas de software anunciam a fusão, consolidando seus  faturamentos em outro patamar, agora da ordem de R$ 80 milhões. 

E mais recentemente foi anunciado o que poderá vir a ser uns dos primeiros casos de TI que fará a abertura de seu capital na segmento da BOVESPA MAIS, ainda este ano. Trata-se da SENIOR SOLUTIONS, que tem o Fundo Stratus e BNDEs como sócios, com um faturamento de R$ 30 milhões e meta de alcançar R$ 120 milhões em 2010. Junta-se a TIVIT e LOCAWEB cujas ofertas de ações - IPOs - se encontram em análise na CVM. 

E muitos outros anúncios de fusões e aquisições irão ocorrer nos próximos meses. Porque o que está acontecendo no cenário de fusões e aquisições do Brasil não é reflexo do excesso de liquidez internacional ou de uma onda especulativa. Mas sim o potencial de expansão da economia concomitantemente com o processo de consolidação do setor de TI, que ainda é muito pulverizado.

Cerca de 30 empresas de TI já se encontram em processo de preparação para fazer a abertura de capital (IPO) nos próximos 3 a 4 anos. A maioria já noticiou pela imprensa suas ações no sentido da mudança de cultura de empresa fechada para os conceitos de companhia aberta e implantação das práticas de governança corporativa, envolvendo a reformulação da estrutura societária, maior equilíbrio de direitos entre os acionistas,  criação de Conselho de Administração, com a participação de conselheiros independentes, compromisso com a transparência, auditorias internas/externas, mitigação dos riscos, etc.

Só nos resta aguardar.

 

postado por Ruy Moura

 
 

PERFIL

Com larga experiência empresarial atuando em estratégias corporativas, engenharia financeira, operações de fusões & aquisições. Foi também diretor de diversas empresas nacionais e multinacionais nas áreas de comércio exterior, infra-estrutura, energia e tecnologia da informação. Atualmente é Diretor da Acquisitions Consultoria Empresarial Ltda. – empresa especializada em fusões & aquisições de empresas (M&A), prestando assessoramento seja do lado do vendedor seja do comprador, em todas as etapas do processo.
 
 

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