A crise já afeta o varejo de TI, telecomunicações e eletroeletrônicos nos EUA. A rede Circuit City com 721 lojas acaba de pedir concordada por limitações de crédito junto a seus fornecedores durante a crise, anterior ao melhor momento do varejo com a aproximação do Natal.
Com um faturamento em FY2007 de US$ 11,7 bilhões, 5,5% abaixo de FY2006 e prejuízo de US$ 319 milhões, a Circuit City é a segunda maior rede de varejo de informática e eletroeletrônicos em operação nos EUA e Canadá, 32º em receita pela Revista Stores e 56º no mundo, segundo a consultoria Deloitte que publica o anuário TOP 250 Global Retailers 2008. A primeira colocada é a Best Buy, com 2.200 lojas distribuídas em 11 países, sendo 1.314 lojas nos EUA, que geraram no FY2007 US$ 40 bilhões em receita.
O varejo norte-americano já havia sofrido uma baixa considerável com o fechamento de mais de 240 lojas da CompUSA no início deste ano, hoje com uma operação totalmente reestruturada com apenas 16 lojas nos EUA. Além de problemas de gestão, a rede CompUSA oferecia um atendimento péssimo a seus clientes. O golpe de misericórdia foi o sucesso da Best Buy com a Geek Squad, que oferece serviços nas lojas, pelo site e a domicílio, tanto para consumidores quanto empresas, todos com valores previamente definidos em seu menu a la carte. A Circuit City respondeu a esta ameaça com a sua versão chamada FireDog. Em minha última visita às lojas da Circuit City fui surpreendido pelo atendimento atencioso de uma equipe de vendas munida de um tablet PC, com técnicas admiráveis de venda consultiva na área de loja.
Apesar da resposta rápida e da reforma de inúmeras lojas, os resultados apontam que o movimento não foi suficiente para garantir sua sustentação financeira em um período de retração como o que o país está passando.
O dinamismo do varejo realmente não permite erros, haja vista as margens reduzidas, bem como a lentidão no processo de tomada de decisão, sendo a única constante a mudança. Em momentos de crise, a situação se torna ainda mais complicada, cabendo resolvermos a equação de tempo de resposta curto, mas com elevado nível de assertividade. Em momentos de crise, o planejamento se torna fundamental para exercitarmos cenários possíveis no momento de tomada de decisão.
Problemas com relação a crédito junto aos fornecedores é o oxigênio para mantermos nossas empresas vivas. Portanto, muito cuidado nesta hora tanto na concessão quanto na tomada de crédito, visto as oscilações do dólar e retração em alguns segmentos. Atenção redobrada companheiros!
* Pedro Luiz Roccato escreve mensalmente na CRN Brasil e possui um blog no ResellerWeb, é Diretor da Direct Channel e autor dos livros "A Bíblia de Canais de Vendas e Distribuição" e "Canais de Vendas e Distribuição" - proccato@directchannel.com.br