A Microstrategy acredita que a turbulência econômica pode dar um "empurrãozinho" para as empresas adotarem sistemas de business intelligence (BI). Na equação de Flávio Bolieiro, vice-presidente da companhia para América Latina, a crise atual é a soma de oportunidade e risco. Desta forma, quem tiver informações mais precisas para explorar as potencialidades, pode sair beneficiado.
Questionado sobre um possível crescimento acentuado na procura por ferramentas de BI nesses três meses de crise, o executivo salienta: "Ainda não vimos nenhum aumento, mas também não houve queda". Pelas contas de Bolieiro, a Microstrategy conquistou cerca de 15 clientes ao longo de 2008 e tem mais quatro contratos que devem ser fechados até o final de dezembro. Com os novos negócios, a fabricante fechará o ano com 200 empresas na carteira e uma evolução do faturamento entre 8% e 10% sobre 2007.
Dentre os projetos fechados nesse período econômico confuso, o executivo cita um negócio fechado com a Loma Negra - subsidiária argentina da Camargo Corrêa para produção de cimento - que viu na ferramenta de BI uma forma de melhorar os resultados. Usuária de ERP da SAP, a companhia adotou o sistema da Microstrategy para extrair e analisar informações, projetando estratégias.
Em contrapartida, Bolieiro revela que a incerteza no cenário macroeconômico fez com que outra empresa argentina, que atua no setor de óleo e gás, postergasse um projeto. "Se os empresários soubessem o tamanho exato da crise estariam mais confiantes para investir", acredita.
Os momentos distintos ilustram o atual momento para a indústria de TI. Com vistas às oscilações, o presidente projeta que começo de 2009 seja calmo, ainda em "compasso de espera". Mas o volume de projetos tende a ganhar corpo no segundo semestre, com cenário mais estável. Para impulsionar negócios, o executivo diz que a Microstrategy tem US$ 100 milhões em caixa.