Até a poucos meses, vínhamos navegando em mar de almirante: não tínhamos marolas consideráveis, o vento parecia soprar a favor e principalmente: nenhuma tempestade estava prevista no horizonte. Alguns até soltaram as amarras de tão tranquila que era a situação.
De um momento para outro, porém, como um verdadeiro tsunami econômico, a paisagem se alterou e a turbulência surgiu, nos obrigando a fazer um esforço muito grande para continuar na superfície.
Os mais afoitos jogaram para fora do barco parte da tripulação, posições de trabalho foram cortadas, desprezou-se muito conhecimento e experiência, bons colaboradores foram despedidos e, principalmente, muitos amigos ficaram numa situação difícil, mas, naquele momento, parecia ser a melhor solução.
O lado bom desse turbilhão é que nos acordou de um sono letárgico e com uma severa chacoalhada nos fez ver que mudanças precisam ser implantadas com a máxima urgência, caso contrário a sobrevivência ficará comprometida.
Ações que deveriam estar em prática foram postergadas pela situação tranquila em que vivíamos, mas agora é preciso união para repensar o modelo de gestão a ser adotado.
Talvez se enganem os que julgam que precisam melhorar a área comercial, talvez de enganem também aqueles que pensam que o segredo está em reestruturar o departamento financeiro. Em minha opinião, o que necessita ser mudado é o conceito do negócio em si. Não priorizando esta ou aquela área, não dando importância apenas à área comercial, financeira ou outra qualquer. Todos precisam atuar para o bem comum e da empresa. Individualidades e vaidades pessoais e departamentais, estão fora de qualquer consideração, o importante é o grupo colaborando com a organização e esta criando o "the best place to work" para seus funcionários.
Após o choque inicial e passado o vendaval de incertezas, observamos que todos devem caminhar em bloco, todas as áreas em sintonia, focadas na missão, visão, valores e competências organizacionais da empresa. Espera-se que isto já faça parte da cultura neste momento, caso contrário, medidas urgentes devem ser tomadas para que estes sejam os pratos de subsistência da organização nos próximos dias.
Nesse modelo que se desenha, a área comercial fica isolada se não tiver o apoio e amparo da área de marketing, que deve deixar de ser uma simples demandadora de peças publicitárias para ser o centro estratégico de toda a empresa, além de atuar no enlace de todo o canal.
De nada adianta marketing e comercial andarem alinhados e em sinergia se não tiverem a companhia da área de recursos humanos, que deverá antever as necessidades e prover ao pessoal as habilidades, competências e comportamentos para que estejam perfeitamente integrados e confortáveis com os parâmetros traçados pelos estrategistas.
Essas três áreas devem estar apoiadas em pilares firmes que dão sustentação a toda estrutura organizacional: a área financeira e a área de compras e negociação com fornecedores.
Nas distribuidoras e nas revendas, os vendedores devem deixar de ser vistos como clientes finais pelo resto da organização, para todos tornarem-se parceiros e aliados do consumidor final. Todo o quadro de funcionários deve interagir no negócio, para que, como um só corpo coloquem-se à disposição do mercado para orientar, sugerir, auxiliar e, se for o caso, vender os seus produtos.
Em tempos de crise, vê-se o momento adequado de união, criatividade, empreendedorismo, coragem, visão e principalmente atender às reais necessidades do cliente, lembrando sempre que a crise não é só sua, mas afeta a ele também.
* Clayson Dellcorso é consultor e escreve mensalmente no Reseller Web | Cleyson Dellcorso - cleyson@dellcorso.com.br