Falar sobre o futuro da tecnologia se converteu em algo comum desde que a computação em nuvem passou a ser discutida sob o ponto de vista das mudanças que causaria na forma de fazer e entregar tecnologia da informação. Enquanto CIOs amadurecem suas ideias em relação a cloud, sobretudo no aspecto de segurança, o CEO e presidente da Citrix, Mark Templeton, divagou, na abertura do Citrix Synergy, sobre o que acredita ser o futuro do mundo de bits e bytes, a computação virtual.
Para uma plateia que beirava duas mil pessoas no Moscone Center, em São Francisco (EUA), onde o evento voltado para clientes e parceiros acontece até sexta-feira (14/05), Templeton mesclou seus conceitos futuristas com produtos que a companhia deve colocar no mercado nos próximos meses. "Usamos nossa tecnologia de forma intensiva em qualquer lugar", disparou, ao comentar as diversas possibilidades que a virtualização de desktop e de aplicativos permite, como o acesso de lugares remotos.
Um dos exemplos apresentados foi a adoção da virtualização pela Nasa, permitindo que os astronautas acessem a dados sem consumo de banda na estação espacial. "Quando você tem esse tipo de infraestrutura de virtualização, você pode fazer diversas coisas, vai de um lugar a outro rapidamente. Sai do trabalho para um local melhor. E isto vem com conceitos muito simples, pessoas e computação. Toda organização terá de ser capaz de produzir isto. Achamos que a infraestrutura mais poderosa para prover isso é a computação virtual. A Citrix produz muitas partes desse mundo", explica.
O executivo dividiu o conceito em três partes: encontros, desktops e aplicativos, todos virtuais. O discurso de Templeton esteve muito mais focado no estilo de trabalho e, por diversas vezes, ele frisou a necessidade de as corporações oferecerem novas formas de trabalho aos seus empregados. No campo de virtual meeting, o CEO lembrou que há componentes chave como melhora de produtividade, agilidade e apelo verde. "Cem milhões de pessoas experimentaram suporte e colaboração da Citrix no ano passado. É preciso ser simples para que as pessoas façam uso. O GoToMeeting já está no iPad e você utiliza em poucos minutos. Fizemos teste até em trânsito e tudo funcionou bem. Testamos também no iPhone."
Já quando o assunto é a virtualização de desktop, Templeton diz não ter dúvida de que esta tecnologia se converterá em uma grande tendência e vê muito espaço para crescer. De acordo com o executivo, mais de 100 milhões de pessoas utilizam desktops e aplicativos virtuais da Citrix e, apenas nos últimos dois trimestres, 1,5 milhão de licenças do XenDesktop foram vendidas. "O sucesso se deve ao fato de não depender de um device específico. A experiência do usuário é boa, temos o FlexCast para entrega, aplicativos sob demanda com o XenApp e arquitetura aberta, que é algo que acreditamos há muitos anos. Temos planos muito agressivos para o futuro", aponta.
XenClient
Apesar de liderar o mercado de virtualização de desktop, a Citrix se mostra inquieta e busca formas de cercar ainda mais este segmento. Enquanto falava sobre os feitos da fabricante nesta seara, Templeton apresentou o que talvez seja o principal lançamento da companhia neste ano, o XenClient. O produto foi pensado na crescente onda de adoção de laptops para trabalhar, o que traz uma necessidade maior de segurança para os administradores de TI.
"Fazer as ligações de usuário e device a qualquer desk e aplicativo é complexo, precisa de flexibilidade. Pesquisas apontam que, até 2014, 72% dos pontos finais no mundo corporativo serão laptops e isso é problema para TI e usuários. Vamos mudar o jogo com uma nova máquina virtual local. O XenClient é infinitivamente móvel e seguro. Levamos o Xen para end to end. Adicionamos o receiver ao XenClient e sincronizamos com as maquinas virtuais, toda a alteração que faço vai para o data center. Centraliza a entrega dos desktops virtuais, recuperação rápida e backup full time, acesso remoto e políticas de controle locais."
A nova solução permite o bloqueio de um laptop em caso de roubo, por exemplo, e isso faz com que nenhum dado estratégico seja perdido, já que as alterações estavam todas no data center. Como Templeton e o diretor de gerenciamento de produto do XenCliente, Peter Blum, definiram, trata-se de um estúdio para criar soluções móveis e seguras. Pode-se adicionar máquinas virtuais e fazer links com CDs e DVDs. Na demonstração, era possível ver que, em questão de segundos, passava-se de uma máquina virtual a outra, o que possibilita também a criação de diversos ambientes - pessoal, profissional e assim por diante.
No final do discurso, o CEO ainda falou sobre a última vertente de sua teoria que são as aplicações virtuais. "Aplicações que serão entregues pela rede", define. O XenApp chegará à versão 6, possibilitando aplicativos Windows em qualquer device e a qualquer hora. Templeton apresentou ainda a Dazzle, uma loja de aplicativos corporativos agregada aos produtos Citrix. "Com uma console de gerenciamento única. O modelo self-service é muito importante e representa o futuro não apenas para usuários finais como também para o mundo corporativo. O acesso à loja ocorre pelo Receiver e, de acordo com o executivo, eles virão de todos os lugares. "Todos podem contribuir."