Calcula-se que o Brasil abrigue 8,5 mil companhias dedicadas ao desenvolvimento, produção e distribuição de software e de prestação de serviços. Do total, aproximadamente 94% enquadram-se como pequenas e médias empresas (PME) e menos de 1% podem ser definidas como grandes. "O mercado precisa se consolidar. Ou você cresce e se destaca ou perde representatividade", afirma Gerson Schmitt, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes), comentando o cenário atual.
A opinião do executivo reforça a posição já exposta pela Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), que acredita que a indústria nacional de TI precisa passar por uma onda de consolidação para se estabelecer com mais ênfase no mercado externo.
Tamanho, nesse caso, é documento. A visão de Schmitt é que ainda há bastante espaço para as provedoras nacionais crescerem em ambiente interno e externo. Contudo, a dimensão das companhias pode ser um empecilho. "Não dá para construir uma estratégia forte com empresas pequenas. É muito difícil para essas companhias competirem", julga.
O presidente da Abes avalia que as exportações nacionais de softwares e serviços (atualmente na casa dos US$ 3 bilhões) ainda representam um percentual modesto para o tamanho do mercado nacional, que movimentou US$ 15 bilhões, em 2009.
"O ideal é que não diminuísse o número de empresas, mas que crescesse a proporção de médias e grandes", ressalta. Schmitt acredita que um mercado com 70% de PMEs e 30% de maior porte ajudaria a fortalecer a indústria nacional de tecnologia. Na percepção do executivo, provedores com receitas anuais superiores a US$ 40 milhões já tem tamanho para começar a disputar mercado com mais presença.
Para ampliar a representatividade, a Abes acredita em revisão de pilares produtivos e mudança na política de fomento. Uma das propostas seria a construção de centros de competência (hub) para atender demandas verticais. Além disso, a entidade ressalta o reforço de aplicativos replicáveis, que darão viabilidade de longo prazo, serviços associados ao software que garantam propriedade intelectual da indústria local.