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Obama: tempo de mudanças

por [Pedro Luiz Roccato*]

Blogueiro do Reseller Web acompanha a cerimônia de posse de Barack Obama

Sustentado em um slogan simples, mas de relativa complexidade diante do cenário atual em que se encontram os EUA, Obama toma posse hoje, como 44º presidente eleito sustentado na mudança.

O novo presidente realmente levou a população a um verdadeiro clima de comoção nacional. Seu sucesso está apoiado em sua proposta de figurar como ponto de convergência entre as mais diversas raças, ideologias e frentes partidárias.

Como o desafio não será nada fácil, realmente a figura de um líder carismático e que se propõe a realçar semelhanças e propostas comuns, e não as diferenças, terá considerável chance de sucesso.

Mudança: uma única e simples palavra, mas quando aplicada apresenta inúmeras dificuldades. Acredito que seu maior desafio será manter a elevada atratividade nos seus primeiros 90 dias de mandato, visto que a ansiedade de todos para que a situação mude é tão elevada, que poderá ajudá-lo se bem administrada, mas, ao mesmo tempo, poderá sufocar o processo de implementação de seu plano, que provavelmente não levará 90 dias, um ano ou mesmo um mandato presidencial.

Por outro lado, se ele aproveitar a comoção nacional e a predisposição para a mudança desde o início de sua administração, terá grande chance de implementar as alterações iniciais e estruturais necessárias para o sucesso, que muitas vezes não são vistas como medidas populares. Provavelmente, a situação deverá piorar ainda mais antes de melhorar. Acredito que ele irá centrar seus esforços em retomar a confiança para um processo longo e sustentado de mudanças, o que será totalmente factível diante de seu carisma e credibilidade, visto que, com os últimos acontecimentos, as pessoas perderam suas casas e seu emprego, o que afeta muito suas perspectivas primárias de sobrevivência e sustentabilidade.

Em termos de implicações para o Brasil e demais países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) acredito que, de forma geral, seremos beneficiados em grande parte por seu plano de governo, até porque, tornar a situação melhor do que o último presidente não será nada difícil. Porém, temos alguns pontos que merecerão atenção, como a forte corrente que se instaura de protecionismo. Em sua proposta, Obama defende agressivos incentivos fiscais para retomada da produção industrial, visto que mais de 70% de tudo que é consumido nos EUA é produzido fora do país, principalmente na China. Segundo os analistas, os incentivos de forma ampla chegarão a mais de US$ 3 trilhões.

Devemos considerar também que, com os resultados negativos das operações nos EUA - sede de grande parte de seus principais negócios -, provavelmente, os investidores centrarão seus esforços, recursos e atenção para cobrir suas perdas locais, reduzindo a atenção e disponibilidade de recursos para outros países.

Porém, também encontraremos movimentos opostos, ou seja, empresas que, devido às perspectivas de retração no mercado norte-americano, buscarão oportunidades em outros países, sendo o Brasil o país do BRIC considerado o mais favorável.

Sempre acreditei que o primeiro passo para que as mudanças aconteçam está sustentado em sua visibilidade dos problemas e sua vontade de mudança. Com a pré-disposição para a mudança, apesar de muitas vezes não sabermos qual será a intensidade dos sacrifícios que deverão ser feitos, acredito que as chances de sucesso sejam elevadas. O brilho nos olhos das pessoas demonstrando sua inspiração e felicidade no evento de posse que eu encontrei por aqui me levam a acreditar que realmente as mudanças ocorrerão.

* Pedro Luiz Roccato escreve mensalmente na CRN Brasil e possui um blog no ResellerWeb. É diretor da Direct Channel, autor dos livros "A Bíblia de Canais de Vendas e Distribuição" e "Canais de Vendas e Distribuição".

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