Sustentado em um slogan simples, mas de relativa complexidade diante do cenário atual em que se encontram os EUA, Obama toma posse hoje, como 44º presidente eleito sustentado na mudança.
O novo presidente realmente levou a população a um verdadeiro clima de comoção nacional. Seu sucesso está apoiado em sua proposta de figurar como ponto de convergência entre as mais diversas raças, ideologias e frentes partidárias.
Como o desafio não será nada fácil, realmente a figura de um líder carismático e que se propõe a realçar semelhanças e propostas comuns, e não as diferenças, terá considerável chance de sucesso.
Mudança: uma única e simples palavra, mas quando aplicada apresenta inúmeras dificuldades. Acredito que seu maior desafio será manter a elevada atratividade nos seus primeiros 90 dias de mandato, visto que a ansiedade de todos para que a situação mude é tão elevada, que poderá ajudá-lo se bem administrada, mas, ao mesmo tempo, poderá sufocar o processo de implementação de seu plano, que provavelmente não levará 90 dias, um ano ou mesmo um mandato presidencial.
Por outro lado, se ele aproveitar a comoção nacional e a predisposição para a mudança desde o início de sua administração, terá grande chance de implementar as alterações iniciais e estruturais necessárias para o sucesso, que muitas vezes não são vistas como medidas populares. Provavelmente, a situação deverá piorar ainda mais antes de melhorar. Acredito que ele irá centrar seus esforços em retomar a confiança para um processo longo e sustentado de mudanças, o que será totalmente factível diante de seu carisma e credibilidade, visto que, com os últimos acontecimentos, as pessoas perderam suas casas e seu emprego, o que afeta muito suas perspectivas primárias de sobrevivência e sustentabilidade.
Em termos de implicações para o Brasil e demais países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) acredito que, de forma geral, seremos beneficiados em grande parte por seu plano de governo, até porque, tornar a situação melhor do que o último presidente não será nada difícil. Porém, temos alguns pontos que merecerão atenção, como a forte corrente que se instaura de protecionismo. Em sua proposta, Obama defende agressivos incentivos fiscais para retomada da produção industrial, visto que mais de 70% de tudo que é consumido nos EUA é produzido fora do país, principalmente na China. Segundo os analistas, os incentivos de forma ampla chegarão a mais de US$ 3 trilhões.
Devemos considerar também que, com os resultados negativos das operações nos EUA - sede de grande parte de seus principais negócios -, provavelmente, os investidores centrarão seus esforços, recursos e atenção para cobrir suas perdas locais, reduzindo a atenção e disponibilidade de recursos para outros países.
Porém, também encontraremos movimentos opostos, ou seja, empresas que, devido às perspectivas de retração no mercado norte-americano, buscarão oportunidades em outros países, sendo o Brasil o país do BRIC considerado o mais favorável.
Sempre acreditei que o primeiro passo para que as mudanças aconteçam está sustentado em sua visibilidade dos problemas e sua vontade de mudança. Com a pré-disposição para a mudança, apesar de muitas vezes não sabermos qual será a intensidade dos sacrifícios que deverão ser feitos, acredito que as chances de sucesso sejam elevadas. O brilho nos olhos das pessoas demonstrando sua inspiração e felicidade no evento de posse que eu encontrei por aqui me levam a acreditar que realmente as mudanças ocorrerão.
* Pedro Luiz Roccato escreve mensalmente na CRN Brasil e possui um blog no ResellerWeb. É diretor da Direct Channel, autor dos livros "A Bíblia de Canais de Vendas e Distribuição" e "Canais de Vendas e Distribuição".